Marcha contra a crise política e a situação económica de Moçambique

Maputo, 18 jun (Lusa) — Uma marcha contra a crise política e a situação económica de Moçambique convocada por organizações da sociedade civil realiza-se hoje em Maputo, para exigir a responsabilização dos autores das chamadas dívidas escondidas.
A presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabota, uma das promotoras da marcha, disse quarta-feira, em conferência de imprensa na capital, que esta é uma forma de repudiar o rumo que o país está a tomar, exigindo o fim dos confrontos entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, bem como a responsabilização judicial dos autores das dívidas contraídas pelo Governo à revelia do parlamento.
Segundo a mesma responsável, o povo quer manifestar-se “em defesa de uma sociedade pacífica e sem corrupção” e não deve pagar o preço pelas “políticas irresponsáveis” que arrastaram o país para a atual situação.
A marcha, que decorrerá sob o lema “Pelo Direito à Esperança”, começa às 07:30 de Maputo (06:30 de Lisboa) e vai percorrer as avenidas Eduardo Mondlane, Karl Marx e Ho Chi Minh até à Praça da Independência, no centro da capital moçambicana.
Além da dívida e da crise política, as organizações da sociedade civil estão preocupadas com a liberdade de expressão, num momento em que atentados contra académicos, analistas, jornalistas e personalidades políticas têm abalado o país.
Depois do protesto, de acordo com os organizadores, será elaborado um documento com sugestões às lideranças moçambicanas e que será, posteriormente, de acesso público.
Em maio, partidos extraparlamentares tentaram organizar uma marcha contra a situação política e económica que Moçambique atravessa, mas, no dia em que estava agendada a conferência de imprensa do anúncio do protesto, o líder do mesmo, João Massango, foi agredido nos arredores de Maputo e a marcha acabou por não ser realizar.
Nos finais de abril, o receio de agitação nas ruas deixou Maputo a meio-gás por um dia e os acessos ao centro da capital sob forte vigilância policial, após a circulação de mensagens anónimas nas redes sociais convocando um protesto contra as dívidas ocultas.
Empréstimos contraídos entre 2013 e 2014 pelo anterior governo fizeram disparar a dívida pública de Moçambique para mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB).
Por outro lado, o país enfrenta uma crise política e militar, marcada por confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo.

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