RENAMO exige auditoria independente ao recenseamento eleitoral

Face ao “vuku-vuku” que se instalou em função dos dados do Recenseamento Eleitoral nas províncias de Gaza, Sofala, Manica, Zambézia e Cabo Delgado, o partido Renamo aventa a possibilidade de levar o assunto à Comissão Eleitoral da União Africana, caso não se sinta satisfeito internamente.

O posicionamento foi manifestado, esta segunda-feira, pelo Mandatário Nacional daquela formação política, Venâncio Mondlane, durante uma conferência de imprensa que visava dar a conhecer os passos levados a cabo pela organização para ver reposta a verdade eleitoral no país e, em particular, nas referidas províncias.

À imprensa, Mondlane disse que a Renamo vai seguir todos os passos legais para reivindicar e repor a verdade eleitoral, pois, “o que está em causa não são os partidos, mas sim a imagem do país e a credibilidade e estabilidade do Estado”.

Comentando sobre a deliberação do Conselho Constitucional (CC) que chumba o recurso submetido pelo seu partido, Mondlane afirmou que aquele órgão não se devia ter baseado no parecer da Comissão Nacional de Eleições (CNE), porque este apresenta um “mar de vícios”.

De acordo com o Mandatário Nacional da Renamo, o seu partido, em todas as fases do recenseamento eleitoral, apresentou reclamações às estruturas oficiais, pelo que não entende como uma instituição como o CC foi tomar uma decisão daquele género.

Mondlane reiterou que, na província de Gaza, a Renamo identificou, no dia 6 de Maio passado, quatro cidadãos de nacionalidade zimbabueana, que acabavam de recensear em Chicualacuala, assim como menores. Uma vez encontrados esses cidadãos, sublinha a fonte, a “Perdiz” submeteu o processo a todas as estruturas, mas estas nada fizeram.

Num outro desenvolvimento, Venâncio Mondlane disse que a Renamo vai submeter outro ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) a pedir que esta delegue uma auditoria externa aos cofres e ao funcionamento da CNE e STAE.

A Renamo adianta também que, nos próximos dias, a Comissão que se encontra nas negociações sobre a paz e estabilidade, em Moçambique, irá se pronunciar sobre o “vuku-vuku” eleitoral que se observa actualmente.

De acordo com a formação liderada por Ossufo Momade, ficaram por recensear, por exemplo, na Zambézia, 635 mil eleitores previstos, uma vez que o INE previa 58.3 por cento do universo da população em idade eleitoral, contra os 38 por cento do STAE/CNE.

Para a Renamo, o maior problema não são apenas os dados, mas também os mandatos, principalmente, nas províncias onde a Frelimo sempre venceu “folgadamente”, desde 1994. Entende aquela formação política que os dados do INE vêm revelar que o seu partido sempre esteve do lado da verdade e espera que o consórcio CNE/STAE reveja a sua posição.

Contudo, apesar de ser o único partido a lutar contra a manipulação de dados eleitorais, a “Perdiz”, na voz de Venâncio Mondlane, garante que irá fazer de tudo para valorizar a vontade popular, pelo que poderá levar o caso à Comissão Eleitoral da União Africana, caso seja necessário. Justifica esta opção com o facto de a Comissão da SADC (Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral), ter sido extinta após as eleições do Zimbabwe, em Agosto de 2018. (Omardine Omar)

Fonte: Carta de Moçambique

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