Beira, cidade caótica, suja, esburacada e desorganizada

Em muitas vias, que à noite ficam completamente escuras, existem sarjetas sem tampas e sem nenhuma sinalização, tornando-se deste modo um perigo para os motociclistas e peões, principalmente para as crianças, que podem cair num desses esgotos e assim perder-se a vida de um continuador que poderia dar o seu valioso contributo ao desenvolvimento do país.

Na rua Correia de Brito, muito próximo do semáforo, existe também uma sarjeta sem tampa, com um sinal indicando a utilização apenas da faixa do lado direito e isso tem condicionado e dificultado bastante o trânsito, originando engarrafamentos. Os residentes dessa urbe dizem que isso está assim há  mais de dois meses.
O trânsito é caótico e alguns automobilistas e motociclistas, principalmente de origem paquistanesa, procedem exactamente como se estivessem no seu país, não respeitam os passeios e estacionam onde bem lhes apetece. Muitos deles chegam a transportar quase toda a família numa única motorizada.

 

Muitas ruas transformaram-se em autênticos cemitérios de carros que já não circulam há décadas. O cumprimento das posturas camarárias só tem sido obrigatório para quem mora na baixa da cidade. Os que moram em bairros como Matacuane, Esturro e Munhava procedem como se não houvesse uma autoridade citadina que possa disciplinar o comportamento urbano.

Construções desordenadas e sem qualquer observância das normas básicas de postura urbana podem ver-se em qualquer parte da cidade, começando pelas construções junto ao campo do Estrela Vermelha, no semáforo, junto ao Shoprite e por trás da Dolce Vita. Isto é apenas uma gota no oceano e quem quiser ver mais que deambule pela cidade.

Há quem diga que se a cidade da Beira não tivesse a sorte de possuir o porto e os caminhos de ferro, e face à degradação que sofreu nos últimos anos, já estaria remetida à quarta posição, entre as principais cidades do país. Ficaria desse jeito Nampula em segundo, logo a seguir à nossa belíssima e linda capital, Maputo. A cidade de Tete já estaria em terceiro e só depois é que poderíamos colocar a Beira.

Edifícios com arquitectura de relevo só existem quatro: os da estação dos caminhos de ferro, de construção antiga; da MCel, do Hotel Luna Mar e do recentemente inaugurado Hotel Beira Terrace. Não se estimulam as grandes e bonitas construções.

Ultimamente, os gestores do município têm corrido contra o tempo, iniciando várias obras em simultâneo, como são os casos do estádio de futebol na zona da Munhava, do mercado da Ponta-Gêa, das obras do jardim junto ao CUCA e tapando buracos nalgumas ruas, sem nenhum critério e estudo prévio. Talvez pensem, erradamente, que isso é suficiente para enganar os munícipes, mas tenho sérias  dúvidas, pois a maior parte das pessoas dessa cidade com as quais conversei disseram peremptoriamente que se os actuais gestores do Conselho Municipal da Beira tivessem uma outra oportunidade, jamais poderiam contar com os seus votos e que só uma pessoa com muito pouca inteligência, ou quase nenhuma, jogaria o seu voto ao céu, depositando confiança nos gestores que o município actualmente possui e que já deram mostras de não estarem comprometidos com a cidade.

Já de regresso à capital, marquei o meu voo para as 15 horas, mas foi alterado para as 21 e depois para as 23.55 e, mais uma vez, vimos a nossa companhia de bandeira a não acertar o passo… Naturalmente!

Fonte: Diário de Moçambique

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