Dívida interna agrava em cerca de 2.2 biliões de meticais

Este stock, não toma em consideração outros valores de dívida pública interna, tais como contratos mútuos e de locação financeira, assim como responsabilidades em mora, indica o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco Central.

Reunido, esta quinta-feira, o CPMO decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, as taxas da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) e da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 11,25% e 17,25%, respectivamente, bem como os coeficientes de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 14% e 36%, respectivamente.

A decisão é fundamentada pelo facto de as perspectivas actuais de médio prazo apontarem para um “ligeiro agravamento das projecções de inflação para o final do ano”, sem, no entanto, comprometer o objectivo de estabilidade macroeconómica.

Essa ligeira aceleração do custo de vida, segundo o Banco Central, resulta sobretudo do choque de oferta causado pelos desastres naturais que têm assolado Moçambique nos tempos mais recentes, conjugado com as tendências para depreciação do metical no mercado cambial doméstico, e para aumento do preço do combustível no mercado internacional.

Adicionalmente, dado que as projecções da inflação e do crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) real para 2019 que estão sujeitas aos impactos destas intempéries, o CPMO, ponderando os riscos e as incertezas subjacentes, considerou “oportuno manter as taxas de juro”.

EFEITOS DO CICLONE IDAI

Nesse contexto, a actividade económica mante-se “modesta”, perante as incertezas quanto à magnitude do efeito dos desastres naturais, com destaque para o do ciclone Idai, que fustigou a região centro do país.

O mau tempo agravou as fontes de riscos sobre as projecções de inflação. “A nível interno, as principais fontes de risco são a sustentabilidade da dívida pública no contexto das incertezas quanto ao financiamento do défice das eleições de 2019, à qual acresce a necessidade de assistência humanitária, reconstrução de infra-estruturas e perda de receita pública na região centro”, apontou o Banco de Moçambique.

Prevendo, que a curto prazo, e reflectindo os impactos do ciclone, poderá observar-se um “refreamento do crescimento” este ano, prevendo-se uma recuperação em 2020, ainda que abaixo da máxima capacidade produtiva do país.

Já nível externo, subsistem riscos significativos de refreamento do crescimento mundial em face da continuação da tensão comercial entre as principais economias, com impacto nos fluxos de comércio externo e na volatilidade dos preços internacionais das mercadorias, com destaque para o do petróleo.

O preço do barril de petróleo, por exemplo, situou-se em USD 74,57 no fecho do dia 24 de Abril de 2019, contra os USD 73,86 observados no mesmo período de 2018.

Contudo, as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) mantêm-se em níveis confortáveis, com o saldo a aumentar USD 99,3 milhões, para USD 3.047,6 milhões, valor que permite cobrir acima de seis meses de importação de bens e serviços, excluindo as transacções dos grandes projectos.

O País

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