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Carta aberta ao Governador do Banco de Moçambique

CARTA ABERTA AO GOVERNADOR DO BANCO
SR. Rogério Zandamela
Muitas cartas começam com elogios e paparicos e só de seguida é se ido à
vaca fria. Eu tenho hoje poucas palavras e vou já à Vaca Fria.
1. Sr. Zandamela, PARA IMEDIATAMENTE com as subidas das taxas indicativas
pois isso faz os bancos comerciais também subirem as suas taxas de juros e o
cidadão comum é que paga muito caro.
1.1. Na verdade, não só deve parar a subida, assim como deve descer tudo o
que subiu, pelo menos à metade dos acréscimos verificados desde Novembro de
2015 à esta data. Sei que esta semana terão a reunião do Comité de Política
Monetária e se eu e outros moçambicanos não dissermos, esta reunião será
para agravar ainda mais as taxas. Não gravem mais nada. Parem com isso.
Façam sim uma diminuição das taxas.
Meu caro Governador, entendo a ideia central por detrás dos aumentos das
taxas de juros. O que o Banco de Moçambique pretende é controlar a inflação,
reduzindo o consumo através desta manobra que é tornar o dinheiro mais caro
e raro. É uma medida económica clássica. É daquelas “manobras” que Adam
Smith ensina em economia básica nas universidades.
 Portanto, é o que
qualquer estudante principiante faria se estivesse no seu lugar. Todavia Sr.
Governador, esta medida clássica não pode ser tomada pelo senhor. O senhor,
de acordo com o seu curriculum é um “Mago” em questões económicas e
financeiras. O senhor não é qualquer um. Medidas clássicas são tomadas em
contextos clássicos. E… o que se verifica em Moçambique não é um contexto
ou circunstâncias clássicas. Não!
Num país aonde as instituições estão a funcionar normalmente, desde o
Governo vigente, a Assembleia Maior, os Tribunais, a Polícia, a
Contra-Inteligência, o sector financeiro, os sectores sociais, até chegar à
sociedade civil, sim… esta medida funcionaria na perfeição. Mas,
Moçambique não está a funcionar normalmente e já há muito que não é um
Estado Normal. Sr. Governador, ao subir as Taxas de Juros, o primeiro efeito
não é o encarecimento do dinheiro para gerar a retracção do consumo e com
isso trazer o “O País Económico” à normalidade.  O primeiro efeito é
transformar todas as expectativas depositadas nos créditos vigentes em uma
cilada. Em resumo, todos os empresários de micro e médias empresas, ao
confiarem no sistema financeiro gerido pelo Senhor, afinal embarcaram numa
armadilha, que foi atraí-los a fazerem investimentos e, ao meio dos seus
processos, verem os seus créditos 50% mais caros – isso não é controle de
inflação. Isso é matar o empresário à partir de uma ratoeira. Ao matar este
empresário, há um conjunto de acções em cadeia: fecho de empresas,
despedimentos (redução de pessoal). Sr. Governador, o Ministério do trabalho
pode não ter te dito, mas só cá em Maputo, deves ter pelo menos 2.000
desempregados frutos de fechos de empresas e reestruturações iniciadas de
Novembro de 2015 à esta data. “Gente sem emprego não compra nada”. Como é
que isso é controlar a economia? Numa perspectiva mais pessimista, nesse
grosso número de 2.000 desempregados, 80% é gente sem o nível médio e
maioritariamente jovens. O que acha que eles estão a fazer para sobreviver?

As jovens na prostituição e os Jovens no crime. Explica-me como é que
controlas a economia deste modo? PARE COM ISSO SE FAZ FAVOR SR.
GOVERNADOR…
1.2. Falei das ciladas e dei exemplos dos empresários de micro e médias
empresas. Entretanto, a questão também se estende aos tomadores individuais
de créditos: Crédito ao Consumo e Crédito à Habitação. Se os salários já não
compram tudo que devia e agora tem crédito mais caro como um chefe de
família vai gerir as suas finanças e manter a família com integridade?
Pensem também no efeito multiplicador negativo que isto tem: desde a
educação das crianças, a alimentação, a garantia de uma casa como o centro
de prevalecimento do lar. Pensem isso nessa reunião e não se cinjam em Leis
Económicas desenhadas para Países normais. Este país não é normal.
2. Mostre ao Executivo que as soluções para a retoma económica, em grosso
modo, estão fora da Autoridade Monetária.
2.1. Acredito que pelo seu curriculum, a aceitação dessa missão de Governar
o Banco de Moçambique não foi uma “cilada”, pois já sabia, mais do que
muitos moçambicanos aonde se estava a meter. Não seja conivente com estes
desgovernos ao aceitar fingir que acredita que a solução dos problemas
económicos em Moçambique estão aí, na Autoridade Monetária e Financeira de
Moçambique. Não aceite isso…
Os empresários moçambicanos, desde os micro às poucas grandes empresas, não
têm o dinheiro que o Pais precisa para se restabelecer. Repare que em alguns
bancos até Setembro de 2015 havia uma Taxa de Juros de 17,5% e hoje ela se
cifra em 28.04%. Esses mais de 10 pontos percentuais traduzem-se em
agravamentos de mais de 50% nas letras de créditos, justamente numa altura
em que “fazer negócio neste país” é mais difícil, não só pela tensão
político militar, mas também pelo agravamento do custo do dólar e do rand
que dificulta ainda mais as importações e aumenta os preços internamente. Se
já é complicado fazer negócio, como acha que as pessoas estarão em condições
de pagar mais justamente nesta altura? Alguma coisa não está bem Sr.
Governador. E o que é que não está bem?
A. Discutam quem é que controla o Monopólio dos preços da moeda estrangeira,
ao ponto de especular a Taxa de Câmbio, que devia estar em 45Mt a 50Mt a
unidade para o Dólar e 4,00Mt a unidade para o Rand. Como é que o Banco de
Moçambique pode imediatamente travar esse monopólio?
B. Porque é que temos volumes escandalosos de dinheiro fora do sistema
financeiro? Como é que empresários moçambicanos de origem estrangeira
ficaram fora do sistema financeiro e hoje já levaram seu dinheiro para fora
do País?
C. No alongamento da questão anterior, discutam como é que o sigilo bancário
é uma utopia neste país, levando a que quadrilhas conheçam os saldos dos
depositantes ao ponto de vermos raptos e assaltos à cidadãos? Não são estes
mesmos cidadãos que, por questões de segurança das suas famílias e por
temerem perder a vida, decidiram tirar seu dinheiro para fora de Moçambique?
Parece que está a virar moda moçambicano ter casa em Nelspruit e
Johannesburg. Os moçambicanos oriundos do estrangeiro já fixam casas em
Lisboa, Dubai, etc.
D. Discutam como incentivar os beligerantes a chegarem a um Acordo rápido
para o calar das armas. Isso vai animar a circulação de bens e serviços e
melhorará muita coisa. Não fechem os olhos a isto e sim esperarem que
aumentando as Taxas de Juros vão recuperar o que se perde com este conflito.
Não!
E. Cheguem ao fim, e rapidamente, sobre essa questão das auditorias às três
empresa: EMATUM, MAM e PROÍNDICUS. Sei que este é o verdadeiro calcanhar de
Aquiles aos membros do executivo. Se é assim tão difícil mostrar com quem
está o dinheiro da dívida feita em nome de Moçambique, então não aceite que
estes mesmos moçambicanos paguem caro por um crime que não cometeram… NÃO
SUBA AS TAXAS… FAÇA SIM A ATITUDE CERTA: BAIXE-AS! Devolva aos
moçambicanos alguma dignidade. Se mantiver as taxas ou subi-las, o Sr.

Governador aceita então ser chamado de especulador, pois mente ao fazer
acreditar que a solução para a retoma está na Autoridade
“. Fim da citação

One thought on “Carta aberta ao Governador do Banco de Moçambique

  1. Penso que numa perspectiva, econômico do pais se a plausível, e que tomemos decisões do gênero de modo a colmatar a que chamamos de Inflação.

    OBS. HÁ NECESSIDADE DE SE FAZER UMA REVISÃO ORTOGRÁFICA.

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