Manuel Chang vai opor-se à extradição

A hipótese de Manuel Chang se ter entregue ao FBI cai por terra. Ele vai se opor à extradição para os Estados Unidos da América, de acordo com o seu advogado na África do Sul, Rudi Krause, que falou ontem por telefone com a agência americana de noticiário financeiro, Bloomberg. Krause disse que a detenção de Chang estava relacionada com a chamada “dívida oculta” de pouco mais de 2 bilhões de USD.
No dia 8 de Janeiro, quando Chang regressar para ser ouvido por um juiz no Tribunal de Kempton Park, nos arredores de Joanesburgo, seus advogados vão solicitar uma liberdade por caução. “Ele se oporá à extradição”, disse Krause. Isso implica que Chang deverá permanecer na cadeia por mais tempo.

Um procurador sul africano disse à “Carta” que os tribunais locais de primeira instância são geralmente favoráveis ao cumprimento de pedidos de extradição emanados da justiça americana. Se essa tendência se repetir no caso de Chang, seus advogados interporão um recurso, o que implicará mais tempo sob detenção.

Mas a probabilidade de Chang não ser extraditado parece remota. Uma recusa da África do Sul só teria cabimento se os crimes de que Chang é acusado nos Estados Unidos tivessem um cunho eminentemente político ou uma moldura penal que inclua a prisão perpetua ou a pena de morte. Não é o caso.

Rudi Krause, Director da firma BDK Attorneys, é um advogado experiente, especializado em direito penal, litígios em geral e confisco de activos. Antes de ingressar na BDK Attorneys, Rudi era um procurador especializado em processos relacionados a tráfico de drogas e crimes comerciais.

A BDK é uma firma famosa por defender clientes oriundos do submundo do crime organizado, assassinos, respeitados empresários e políticos controversos, de acordo com um perfil traçado pelo jornal sul africano Sunday Times. Dos clientes mais recentes destacam-se o antigo Ministro dos Transportes de Thabo Mbeki, Mac Maharah, o então fugitivo bilionário tcheco Radovan Krejcir, a escandalosa Auction Alliance e até a EduSolutions, uma empresa que esteve no centro de um dos maiores desastres no sector da educação na África do Sul.

O principal rosto da BDK Attorneys é o advogado Ian Small-Smith, especialista em direito penal há 21 anos. Ele foi o quem intermediou um acordo judicial para a redução das penas dos assassinos do empresário Brett Kebble. Os homens testemunharam contra Glenn Agliotti, um alto traficante de drogas, que encomendou o assassinato de Kebble em 2005. A firma tem sido criticada por ser a preferida por gansgters, traficantes de drogas e assassinos confessos.

A firma tem experiência em negociar reduções de penas em troca de testemunhos que impliquem criminalmente outras figuras, uma prática que é apanágio do sistema judicial americano. O procurador sul africano com quem falamos disse que existe uma grande possibilidade de Chang começar a negociar com a justiça americana enquanto aguarda uma decisão final sobre o pedido de extradição. A grande dúvida agora é a de saber a quem é que ele estará disposto a sacrificar em troca de um indulto ou mesmo de uma redução de penas.(M.M.)

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