Mambas: nome para mudar ou manter?

Tudo aconteceu no mandato de Mário Guerreiro na FMF. O nome Mambas partiu de dois conceituados músicos e homens do desporto: Mundinho e João Domingos.

Porquê, essa designação para a Selecção de todos nós? Foi a necessidade de conferir mais agressividade e “veneno”, que ajudassem a nossa Selecção. Isso poderá ter sido alcançado, uma vez que ficámos mais de cinco anos sem ser derrotados no Estádio da Machava. Toda a gente referia que tínhamos talento, jogávamos futebol bonito, mas faltava o veneno da Mamba.

BOA OPORTUNIDADE PARA O DISCUTIR NOME

Novo ciclo, desafios enormes pela frente, com nova equipa técnica e futebolistas de valor em clubes além-fronteiras. É verdade que a designação para uma Selecção que representa um país com história no futebol, terá que ser bem ponderada.

Ao que sei, a nova FMF pretende lançar um concurso em que o público amante do futebol, e não só, trará sugestões que cada um considere mais apropriadas, para a eventual escolha de uma nova designação.

Haverão, seguramente, os do pró e do contra. Para uns, a Mamba é um animal rastejante, nojento, que até é usado para amedrontar as criancinhas.

Quando perdem, são chamados, de forma pejorativa, por “Minhocas”.

Para outros, a Mamba na natureza, apesar de ser um animal cercado de medos e superstições, é útil, tem uma função que não pode ser vista só pelo lado considerado predador. As serpentes fazem parte de uma cadeia ecológica, tornando-se importantíssimas para o equilíbrio do meio ambiente. E são valentes, não recuando perante as adversidades. Como designação de uma Selecção Nacional africana, originalidade não falta…

É um assunto sensível e galvanizante, pois quando se trata de selecções nacionais, quebram-se barreiras e as pessoas unem-se para celebrar uma auto-estima, esquecendo crises e diferenças.

Daí que o assunto exija razoabilidade e ponderação para que no final, a equipa de todos nós saia fortificada. Moçambique não tem um historial de nomes das suas selecções, nas várias modalidades. Em África, grande parte das selecções africanas tem nomes de animais.

Pessoalmente, talvez por já ser da velha guarda – para muitos um ultrapassado – à partida não me passava pela cabeça a ideia da mudança, pois não me ocorrem designações com mais originalidade e identidade, contendo referências ao país e ao continente.

Mas prefiro esperar, participando, para ver. Emitir uma “decisão”, pessoal, por mais fundamentada que fosse, seria o mesmo que meter-me num vespeiro. Aí, em vez de sentir as picadas da cobra, poderia ser picado por vespas.

O País

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