Conde: Estou aqui para qualificar Moçambique para grandes torneios

Chiquinho Conde é indiscutivelmente um pioneiro. O jogador de 58 anos foi um dos maiores jogadores do seu país e é, pelas suas contas, o primeiro moçambicano a jogar profissionalmente no estrangeiro na era pós-independência.

Conde está agora no comando da seleção de Moçambique, que é uma das quatro seleções com três pontos em duas partidas na fase de qualificação da CAF para a Copa do Mundo da FIFA 26™ .

No entanto, o seu percurso até se tornar treinador principal dos Mambas começou há muito tempo. Quando menino, Conde cresceu jogando futebol nas ligas locais de Moçambique enquanto estudava construção. Belmiro Manaca, então seleccionador de Moçambique, percebeu o talento inegável do jogador, mas encorajou-o a terminar primeiro os estudos, prometendo-lhe uma convocação caso conseguisse passar no curso.

Conde fez exatamente isso e foi convocado pela primeira vez para a maior das ocasiões: a Copa das Nações Africanas da CAF de 1986, uma grande oportunidade para o jovem.

“Depois dos meus exames, informei-o imediatamente que tinha passado no curso. Ele então deu-me o magnífico presente de ser convocado para a selecção nacional para aquela que foi a primeira AFCON da história de Moçambique”, disse Conde à FIFA.

Esse foi apenas o começo de uma viagem mágica para Conde, que nasceu como o caçula de sete meninos. Além de fazer a tão esperada estreia internacional, teve a rara oportunidade de jogar pela seleção principal de seu país ao lado de dois de seus irmãos: Geraldo, o terceiro mais novo – com quem formou parceria de ataque – e o segundo o mais novo, Elcídio, zagueiro.

“Foi notável e fantástico. Fizemos história ao ter três irmãos jogando ao mesmo tempo”, lembrou Conde.

A exposição adquirida naquela AFCON valeu a Conde a mudança para a capital de Moçambique, Maputo, para se juntar à Maxaquene. Enquanto jogava lá, foi avistado pelos gigantes portugueses Sporting CP e Benfica, cada um dos quais estava em Maputo para um torneio.

O Benfica quis contratá-lo imediatamente, mas não conseguiu, uma vez que o recém-independente Moçambique ainda não tinha legislação em vigor para a transferência internacional de jogadores profissionais.

Porém, um ano depois, tudo mudou quando Joaquim Chissano – que quando menino jogou futebol com o lendário Eusébio – se tornou presidente do país.

Quando outro clube português, o Belenenses, viajou para Maputo em 1987 para defrontar o Maxaquene, já existiam regulamentos que permitiam a transferência de jogadores moçambicanos para o estrangeiro. Mesmo com a equipe da casa perdendo por 3 a 1, o Conde ainda conseguiu marcar e chamar a atenção dos visitantes. Ao saber da intenção do Belenenses de contratar o avançado, o Benfica renovou o interesse em garantir os seus serviços.

“Quando cheguei ao aeroporto de Lisboa ainda não sabia se ia para o Benfica ou para o Belenenses. Delegações dos dois clubes viajaram no mesmo avião com a nossa comitiva para continuar as negociações, culminando com a minha contratação pelo Belenenses em 1987, “, disse Conde.

Foi um momento marcante para o futebol no país da África Austral. Embora dividido na altura entre os dois clubes, no final o seu destino seria o Belenenses, cujas cores usou com orgulho até 1991.

Nessa passagem, ajudou o clube da capital a vencer a Taca de Portugal de 1988-89, nocauteando os pesos pesados ​​Sporting e Porto pelo caminho, antes de vencer o Benfica na final.

Em 1992, Conde assinou pelo Vitória de Setúbal, então equipa portuguesa da segunda divisão, ajudando a impulsioná-los de volta à primeira divisão do país. Conde e o atacante nigeriano Rashidi Yekini marcaram 36 gols no que foi uma temporada memorável para o clube.

O próximo a bater à porta do atirador moçambicano foi o poderoso Sporting CP, que na altura contava com o jovem Luís Figo. Assinar pelos gigantes portugueses permitiu a Conde realizar o sonho do pai.

“Foi o ponto alto da minha carreira e conseguimos vencer a Taça de Portugal na minha primeira temporada”, disse Conde. “Foi a concretização de um sonho de infância, porque quando jogava nas ruas de Moçambique fui apelidado de ‘Yazalde’, em homenagem ao grande avançado argentino [Hector Yazalde] que jogou no Sporting e marcou inúmeros golos. Sportinguista e concretizei esse sonho.”

O maior orgulho de Conde, porém, era representar seu país.

“Eu viajava sempre que a selecção nacional tinha jogos”, disse Conde. “Tinha imenso orgulho em jogar pelo meu país, do qual era capitão. eles para baixo.

O ex-atacante é um ícone da seleção nacional. Até 2010, foi o único moçambicano a disputar três edições da AFCON (1986, 1996, 1998) – feito que só foi igualado pelo Tico-Tico em 2010. O problema, porém, foi que o país não conseguiu se classificar para o campeonato continental novamente por mais 13 anos.

Essa longa ausência prejudicou a equipa e os seus adeptos, motivando a procura de um novo treinador que pudesse revolucionar o futebol em Moçambique. Não foi por acaso que o homem encarregado de restaurar a sorte do país em 2021 foi Conde, que apenas dois anos depois garantiu a qualificação para a AFCON de 2023.

“Em 1987 fui o primeiro moçambicano após a independência a jogar profissionalmente no estrangeiro, abrindo caminho para outros o seguirem”, disse Conde. “Agora estou de volta como técnico para nos classificar para grandes torneios.

“Restaurar a auto-estima dos adeptos moçambicanos foi um desafio que abracei desde o primeiro dia. Espero sinceramente continuar esta trajetória ascendente e promover a mudança no futebol moçambicano. No entanto, isso não é algo que eu possa fazer sozinho. Não sou mágico e não tenho varinha mágica. Principalmente, preciso de apoio para progredir. Esses jogadores brilhantes aqui continuarão a fazer de mim o melhor treinador.”

Com Conde no comando, a oportunidade de mudar para sempre o rumo do jogo em Moçambique nunca foi melhor. (FIFA)

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