“O que aconteceu com Zimbabwe pode vir a acontecer com Moçambique”, Egídio Vaz

O que aconteceu com a ZANU-PF pode vir a acontecer com um dos três partidos políticos mais importantes de Moçambique, preferencialmente depois de 2025, por razões diferentes, mas congruentes. Vamos por partes.

1. FRELIMO: o grande enigma reside em saber se em 2025 o modelo de sucessão terá ainda em conta a rotatividade por região ou não. Se for, então Pacheco será sem dúvidas o Presidente. Terá na altura 67 anos. De uma ou de outra forma, a sucessão não será sem guerras internas renhidas onde alguns quererão acabar com o modelo e adotar eventualmente a competição intrapartidária. Desde a sua independência, Moçambique conheceu três presidentes da república provenientes da zona sul do País e Nyusi é o primeiro proveniente da região norte. Podem aqui e acolá dizer que esta seja uma abordagem regionalista ou tribalista, mas é verdade que o assunto não está esgotado e deverá ser levantado nas vésperas. 2025 poderá ser a vez do centro do país saborear o poder presidencial. E caso seja Pacheco, poderemos assistir à uma competição presidencial sui-generis. Três candidatos presidenciais naturais da mesma província, pertencentes a mesma etnia NDAU e provenientes de três distritos vizinhos e contíguos: Machanga (os Simango, apesar dele ter nascido na Tanzânia), Chibabava (Dhlakama) e Búzi (Pacheco). Também pode ser que o poder se fixe ao norte por mais dez anos. Falando concretamente do senhor Pacheco, importa recordar que é pela segunda vez que concorre para ser candidato da Frelimo às presidenciais. Em 2004 fê-lo e
foi suplantado pelo Presidente Guebuza e desta vez também ficou para outra oportunidade. Pacheco é grande amigo de Mnangagwa, fiquem sabendo. Vamos ver.

2. RENAMO: em 2024, Afonso Dhlakama terá 72 anos. ATÉ LÁ, TERÁ DIRIGIDO A RENAMO POR 48 ANOS superando Mugabe (dirigiu a ZANU PF por 40 anos) e qualquer outro líder africano. E dependendo do seu estado de saúde, poderá ser recordado a descansar para que os outros “continuem” com o seu legado. Se no presente momento a luta pelo controlo pelo poder é visível e o facciosismo uma realidade, a tendência pode se agudizar à medida que Dhlakama for perdendo atenção, forças físicas e controlo sobre diferentes nuances, com o agravante de que nas eleições de 2019 virem a eleger governadores da Renamo e por causa disso, fortalecer algumas elites, tal como acontecera com Daviz Simango e seu MDM.

3. MDM: A luta começou cedo. Em menos de dez anos da sua existência, a luta pelo controlo do partido e dos proventos do poder já produziu mártires e as águas estão claramente separadas. No centro, a alternativa a Daviz é claramente Manuel Araujo. Ao norte, era Amurane, já falecido. A sul, o Engenheiro Venâncio Mondlane. Mas ainda temos o Professor Silvério Ronguane que pode, devido a idade, suplantar Mondlane. Esses três sobreviventes já puderam dar mostras claras de sua vitalidade e viabilidade política tanto na liderança como ao nível operacional. Têm ideias claras e coerentes sobre como os negócios devem ser dirigidos dentro do partido e fora dele, sem contar com a experiência de gestão, familiaridade com as instituições do estado e processo legislativo. Ia me esquecendo de Geraldo Carvalho, outro “Mnangagwa” dentro do MDM. Se Dhlakama poderá vir a reformar por razões de idade, Simango pode vir a reformar dada a natureza intrínseca do próprio movimento. O movimento nasceu democrático, apostou em activos individuais que cedo alguns membros puderam se posicionar dentro do partido. Daqui a 2025 restam-nos oito anos. Até lá, teremos duas eleições municipais, duas gerais e presidenciais; tempo suficiente para o MDM clarificar um conjunto de mal-entendidos com os quais convive.

Egídio Vaz

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