“Nossa justiça é de faz de contas” – diz Nini Satar

Nini Satar mais uma vez tenta elucidar o povo através dos seus considerados “polêmicos” textos. Momade Assife Abdul Satar (Nini) vem conquistando muitos leitores de todos os extratos sociais porque os seus textos apresentam  coesão e coerência, a titulo de exemplo  confiram a sua explanação abaixo.

“As duas faces da mesma justiça!

Provavelmente algumas pessoas- de mente tacanha- entendem-me mal quando digo que a nossa justiça é de faz de contas. Pune os pobres e limpa o chão da casa de banho dos ricos, sobretudo quando estes tiverem ligações com a nomenklatura política do dia.

Há dias, um documento do Ministério Público Federal do Brasil denunciou José Viegas (antigo PCA da LAM) e Mateus Zimba (antigo director da Sasol Moçambique) como estando envolvidos num esquema de pagamentos ilícitos pela empresa brasileira Embraer no processo de compra de dois aviões, pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

São milhões de meticais de meticais, saídos dos cofres do Estado, que foram cair ao bolso alheio. Ou seja ao bolso de José Viegas e Mateus Zimba, segundo a justiça brasileira.

Para ser mais claro, o caso já foi julgado e os implicados (Embraer) condenados tanto no Brasil assim como nos Estados Unidos da América (EUA). E tiveram que desembolsar balúrdios de dinheiro por causa dessa ilicitude.

E cá temos o José Viegas e o Mateus Zimba impunes. Não estou a dizer que eles sejam efectivamente culpados, mas devido ao manancial de provas existentes contra eles, a justiça devia agir preventivamente: mandar prender estes dois senhores.

Sabem porquê a Procuradoria-Geral da República ainda não os prendeu e, provavelmente, nunca os irá mandar prender? Porque é subserviente do poder político. Estes dois senhores são membros do partido Frelimo, logo gozam de imunidade.

Se o mesmo tivesse acontecido com o Zé Povinho (eu, Nini Satar, não me excluo), já estaria preso há muito tempo. O Ministério Público até já teria deduzido a acusação provisória. Isto não acontece ao Zé Viegas e ao Mateus Zimba porque em Moçambique a justiça tem duas faces: engraxa os ricos e pune os pobres. Isto está claro. Quando se é dirigente e ainda com ligações ao partido Frelimo, pode-se roubar até à fartura que nada acontece.

Há um episódio que ainda está bem registado na minha memória- e creio na de muitos moçambicanos. Quando António Siba-Siba Macuácua foi assassinado, a Polícia investigou até à exaustão e deu como culpado o antigo PCA do lesado Banco Austral, Octávio Muthemba.

Octávio Muthemba era amicíssimo de Nyimpine Chissano e pertencia ao partido Frelimo. O Procurador-Geral da República à altura era Augusto Raul Paulino. O que ele fez? Nada. Absolutamente nada. Ouviu Octávio Muthemba em declarações para “inglês ver” e no fim mandou-o para casa. Havia ordens superiores para que Muthemba não fosse preso. Aliás, muitos sabem que foram indivíduos ligados à Frelimo que se beneficiaram indevidamente dos dinheiros do extinto Banco Austral.

Augusto Paulino, para desviar atenções, mandou prender Parente Júnior, um banqueiro sério e que foi convidado pelo próprio Siba-Siba Macuácua para o ajudar a resolver o caso do crédito mal parado.

Porque Parente Júnior era de facto inocente, o Tribunal Supremo mandou soltá-lo e no dia em que saiu da cadeia estava à sua espera o

Ermigildo Gamito, actual presidente do Conselho Constitucional, porque sabia da sua inocência.

A Parente Júnior coube-lhe a detenção porque não tinha ligações partidárias. Foi tudo para desviar atenções. Deixou-se o alvo principal, Octávio Muthemba, e foi-se buscar o elo mais fraco. É assim que funciona a justiça em Moçambique.

Mas atenção: com este meu post, não quero dizer que José Viegas e Mateus Zimba sejam culpados. Gozam de presunção de inocência até que a sentença condenatória transite em julgado. Mas a justiça devia agir preventivamente: mandar prendê-los. Há indícios bastantes para isso.

Se fosse eu ou tu meu amigo vendedor ambulante, camponês, cobrador do “chapa”, motorista deste, trabalhador honesto, já estaríamos encarcerados há muito tempo.

Arrisco a dizer que este caso, assim como o dos que nos empurraram para a catástrofe com as dívidas ocultas, jamais terão um desfecho satisfatório. Os culpados continuarão por ai a respirar ar fresco, de barrigas avantajadas e bochechas rechonchudas por sugar inescrupulosamente o Estado.

Este país assim não vai para frente”!

Assista o vídeo para melhor compreender .


Nini Satar

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