Pai de Dhlakama não sabia da doença do filho

Cerca de 320 quilómetros separam a cidade da Beira da região de Mangunde, terra natal de Afonso Dhlakama, no distrito de Chibabava, em Sofala. Nossa equipa fez o trajecto para falar com o pai do líder do maior partido da oposição no país, que perdeu a vida na última quinta-feira.

A região leva o nome de pai de Afonso Dhlakama que é régulo. Aliás, por ser filho mais velho, Afonso deveria ter sido, um dia, sucessor do seu país como líder tradicional do povoado.

E porque há infelicidades, encontramos na casa dos Dhlakama diversos familiares e vizinhos e outros tendem ainda a chegar para fazer parte das exéquias fúnebres de Afonso Dhlakama.

Apesar de ter a saúde debilitada e estar a enfrentar crises de tensão, o régulo Mangunde aceitou receber a nossa equipa de reportagem. O ancião não escondeu a dor pela forma como a morte do seu filho ocorreu; diz que não sabia da doença do filho, e por isso foi com bastante surpresa que recebeu a notícia da sua morte.

Afonso Dhlakama tornou-se líder da Renamo no auge da juventude e desde os anos 80 até a data da sua morte vinha tomando as rédeas do partido. Questionado sobre a liderança do filho, de poucas palavras, o régulo Mangunde disse que nunca pensou, na vida, que o seu primogénito pudesse tornar-se na figura que se tornou, até pelas suas origens humildes e de um dos locais mais pobres do país. Aliás, para o pai, Afonso Dhlakama foi sempre um filho igual aos outros.

E porque a saúde do idoso requer algum cuidado especial, o governo distrital de Chibabava alocou uma ambulância e uma equipa médica que em permanência acompanha o estado do régulo, até porque os seus 92 anos de idade tornam-no vulnerável a emoções fortes. Enquanto isso, a casa dos Dhlakama prepara-se para receber e despedir-se de um dos seus filhos que sempre manteve a ligação com a terra que lhe viu nascer.

O País

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