CRISE NO MDM: Iminente implosão do edifício que (afinal) não tinha alicerces

O edifício político (MDM) que há cerca de nove anos era visível no nosso país e juntou à sua volta uma boa franja de cidadãos, sobretudo pelo lema que escolheu para o seu nascimento, “Moçambique para todos”, ameaça implodir, depois de não se ter aguentado com as rachas que se haviam semeado no seu corpo, mas que nunca foram levadas a sério pelos seus mentores.

Em vésperas da implosão todos os erros da sua concepção são chamados à tona para tentar justificar o desaire, desde a ambição desmedida, até um aparente tribalismo, regionalismo e um aproveitamento político do momento em que o partido nasceu e, agora, vai-se percebendo que afinal nem sequer tinha alicerces.

Comecemos mesmo por esse lado. O MDM nasceu de desentendimentos no seio do maior partido da oposição, a Renamo, porque o seu líder, Afonso Dhlakama, preteriu Daviz Simango, das preferências para a presidência do município da Beira. Simango, que queria a todo o custo voltar a chefiar a cidade da Beira, subtraiu-se da Renamo, formando o Movimento Democrático de Moçambique e concorreu como independente, ganhando o pleito autárquico.

Entretanto, entre ser presidente do município e presidente do novel partido, Daviz Simango preferiu acumular as duas responsabilidades, fitando, outrossim, a “Ponta Vermelha”. Cedo, os que correram para o MDM à procura do espaço que diziam não haver noutros partidos, foram-se queixando também da inexpugnabilidade deste a menos que falassem mais alto atributos de índole regional, tribal e até familiar.

O primeiro sinal público foi dado em Fevereiro de 2009 com a dissolução da Comissão Política, órgão gestor do partido, que havia sido formado no congresso constituinte, em Março do ano anterior. Ficou, nos mais atentos, a ideia que tal visava afastar Ivete Fernandes, esposa de Ivo, que fora secretário-geral da Renamo, assassinato durante a guerra dos 16 anos, em Cascais, na capital portuguesa.

A seguir o jurista Ismael Mussá, igualmente saído da Renamo, que conseguira o posto mais prestigiado de secretário-geral do MDM, demite-se. As razões evocadas não fugiram, nem de longe, ao DNA tribal e regional do partido.

Em 2013, valendo-se de dois importantes factores o MDM ganha eleições na capital provincial do maior círculo eleitoral, Nampula. O primeiro factor residia no facto de a Renamo ter gazetado e o outro, não menos importante, foi uma certa desorganização reinante no seio do maior partido nacional, a Frelimo, que consistiu na recusa pelas bases do candidato imposto pelos órgãos centrais. Esse dilema levou a que localmente as eleições não tivessem o interesse esperado.

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