Serviço militar obrigatório para alunos indisciplinados ou que abandonam a escola?

Todos sabemos que a megaestrutura sistema educativo está longe de ser eficiente face aos problemas e desafios do presente. A estatística e a cultura da imagem estão a prejudicar o desenvolvimento da nossa escola, ecossistema onde todos aprendem, mas onde os equilíbrios são ténues.

Ao aumentar a escolaridade obrigatória, a estrutura devia ter acompanhado essa nova realidade de forma consistente, mas infelizmente não aconteceu. Apesar da diversidade da oferta educativa (Ensino regular, cursos profissionais, PCA, CEF, PIEF, vocacionais….) para agarrar aqueles que no passado abandonavam a escola, temos neste momento, muitos alunos em regime de semi-abandono escolar; semi-abandono graças à dedicação, paciência e tolerância de muitos professores, técnicos e auxiliares, que após “partirem muita pedra” conseguem, através da confiança, ultrapassar o que parece impossível.

Resta um pequeno grupo dentro da escola em puro abandono, poluindo de forma ativa ou mesmo passiva os restantes. As dificuldades são muitas e os objectivos são desadequados, pois queremos que adolescentes vindo de famílias sem estrutura e sem interesse pela escola, num momento mágico, comecem a entrar numa das ofertas criadas pelo sistema educativo. Esta tarefa é muito difícil e muito dura para quem está na primeira linha. Como dizem os alunos, “os cursos” deviam ser mais flexíveis e possuir metas tangíveis para o perfil de cada aluno e aumentar os contextos de trabalho em regime de alternância.  Além da importante transferência de conhecimento e competência, o aluno tem de produzir obra através do seu empenho e dedicação em partilha com os outros. As aulas expositivas são benéficas, mas para alguns alunos, o nível de curiosidade e interesse ainda não é o suficiente para a referida forma de aula, por isso é momento de por a mão na massa da forma mais simples e objetiva possível.

O sistema tem de apresentar processos simples e adaptados à realidade intelectual e emocional de cada um. Por isso, “os cursos” demasiado estruturados têm de ser repensados à medida que aumentam as dificuldades dos alunos. A capacidade de flexibilidade do sistema deve aumentar sem perder o rigor e os sucessos tangíveis. No entanto, é difícil chegar a todos os alunos, e aqui as empresas, as autarquias ou a instituição militar seria um caminho para contribuir para o desenvolvimento da estrutura moral e cívica de cada aluno em profundo abandono. Neste grupo de alunos em abandono dentro e fora das paredes escolares, o serviço militar obrigatório faz todo o sentido. Quando o aluno desafia constantemente a ordem estabelecida e assume um comportamento disruptivo, este está simplesmente a construir a sua moralidade, se a escola se apresenta passiva, pois não está preparada para estes casos extremos, o aluno consolida princípios errados construindo a sua personalidade da forma possível. O trabalho vigiado ou o serviço militar, ajudou muitos destes casos no passado e pode contribuir no presente uma resposta à altura do problema.

Esta e outras realidades estão escondidas nas múltiplas estatísticas e estudos produzidos na área da educação e devem ser reconhecidas o mais rápido possível, para começar a estancar e resolver os problemas que perturbam toda a comunidade escolar.

Valdemar Martins

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