Morte de Feliciano Maricoa levou gargalhadas que o povo precisa

Feliciano Maricoa, dramaturgo moçambicano falecido na última terça-feira na cidade de Nampula destacam as qualidades do artista e convergem na lacuna que nasce à escala nacional e não só, sobretudo no capitulo do humor.
Paralelamente, apontam que a morte daquele dramaturgo levou os motivos de gargalhada que o povo moçambicano muito precisa, constituindo motivo de profunda tristeza que para superar durará seu tempo.
O governador da província de Nampula, Víctor Borges, que esteve presente no velório disse que Feliciano Maricoa soube por via do teatro levar a cultura, história e beleza paisagística de Bazaruto, em Inhambane para o mundo.
Aqui, o governante referia-se ao incontornável seriado português “Jóia de África” produzido em Moçambique, mais concretamente na província de Inhambane, na qual o finado fez com brilho o papel de régulo.
Disse ainda que através da sua expressão corporal, sua dicção espiritual e profunda entrega à cultura, particularmente o teatro fizeram de Feliciano Maricoa, homem do mundo.
A intervenção de Víctor Borges teve assento tónico no passeio pelo mundo, do dramaturgo, que segundo suas palavras, na sua existência deixou marca indelével à escala do globo, porque sua obra traduzida em várias línguas  move tudo e todos.
A dado passo, o governador de Nampula chegou mesmo a dizer que, o nome de Maricoa foi sempre confundido com o teatro.
As qualidades daquele que veio a ser considerado mestre do teatro, pelo menos ao nível de Nampula fizeram, na opinião de Víctor Borges, com que fosse um homem admirado ao mesmo tempo respeitado.
A sua cumplicidade, humanidade, humildade, zelo e dedicação ao trabalho movem a que os seus seguidores se vejam hoje na responsabilidade de tudo fazer em prol da continuação de suas obras ao mesmo tempo que significará melhor homenagem.
Fundador do grupo teatral “Os factos”, não deveria seu velório ser diferente, daí a actuação dos membros desta colectividade, numa realidade que por alguns instantes agitou os presentes, tanto no Salão Nobre do Conselho Municipal, como no cemitério onde repousam os seus restos mortais.
Na hora em que Pascoal Rodrigues, membro do grupo teatral “Os factos” subiu para apresentar sua mensagem, os presentes no velório se viram surpreendidos com cânticos e vozes que mais pareciam um espectáculo.
O maior susto que se estendeu à segurança do governador veio após o pastor declarar fim da oração, isto já no cemitério, altura em que discípulos de Maricoa entraram em cena, numa peça que quase moveu fuga dos presentes.
Tratou-se de uma forma por estes escolhida para não só se despedir do seu mestre como também provar aos presentes que algo aprenderam e que estão em condições de continuar com o legado de Feliciano Maricoa.
Aliás, o próprio Pascoal Rodrigues disse em mensagem que a “sua partida criou uma lacuna irreparável no nosso grupo, assim como no mundo do teatro, mas
nós prometemos continuar com a sua obra”.
Já a sua filha, Dolorosa Maricoa trouxe ao de cima as características de Maricoa como pai, ao afirmar que era um protector, guerreiro, humanista,
contador de histórias, para além de ser uma referência quanto à lealdade e comprometido com a verdade.
Numa mensagem breve que mais pareceu um poema, ela evocou alguns traços bíblicos,numa clara demonstração de que, afinal Maricoa, era religioso e deixa uma legião de crentes.
A filha terminou a sua mensagem expressando sua crença na ressurreição, quando afirmou que “hoje o coração é triste porque partiste, mas num futuro próximo, Deus ressuscitará os justos e injustos e nessa altura estaremos juntos”.
Nascido a 5 de Maio de 1944 no distrito do Ile, província da Zambézia, Feiciano Maricoa que produziu várias obras entre as quais, “Amigo falso”, “O quilo da verdade”, “Polígamo no pré”, “Agarrar fogo e não se queimar e tudo a sonhar”, deixa viúva, nove filhos e 20 netos.

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