Zófimo Muiuane admite em tribunal que trabalhava para SISE

O bilhete de identidade sul-africano supostamente falso, encontrado na posse de Zófimo Muiuane, durante as investigações por assassinato a tiros da sua esposa Valentina Guebuza, filha do ex-Presidente da República, Armando Guebuza, na noite de 14 de Dezembro de 2016, na residência da vítima, onde o casal vivia, em Maputo, é verdadeiro. O próprio réu disse ao tribunal, na segunda-feira (18), que prestara falsas declarações sobre o documento em questão, para salvaguardar “os interesses do Estado”. Porém, foi-lhe atribuído pelo Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), há 15 anos.

No referido documento, o réu é identificado pelo nome de Washington Dube, de nacionalidade sul-africana. Possui-o desde 2002.

Por via disso, pesa sobre ele, no âmbito do processo-crime número 01/2017, 10ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM), a acusação de falsificação de documentos.

Ele afirmou que por mandado do SISE, observava secretamente os movimentos, as conversações e os actos de terceiro, para fins que não revelou.

“O documento não é falso. Ocultei essa informação” do inspetor do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) “para não pôr em causa os interesses do Estado”, mas esclareceu-lhe que “não era falso”.

O inspector do SERNIC insistiu para que Zófimo Muiuane abrisse o jogo, mas ele recusou. “Pedi um minuto para falar com o meu advogado” mas mesmo assim achou prudente manter-se calado.

O único detalhe que disse ter facultado ao agente da Lei e Ordem foi de que, contrariamente às suas anteriores declarações, segundo as quais apanhou o bilhete de identidade ao acaso na rua e colou a sua fotografia, a verdade é que o documento é de serviço. Usou para uma determinada missão, em 2012.

A juíza do caso, Flávia Mondlane, perguntou ao réu se ele era “o tal Washington Dube?”, tendo respondido que se trata de um pseudónimo e nunca viveu na África do Sul. “O documento fui atribuido aqui em Moçambique por uma instituição do Estado, o Serviço de Informações e Segurança do Estado”. Porém, não dispõe de comprativo.

Fonte; Jornal a Verdade

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