a Polícia decretou um prazo de sete dias para os atacantes se entregarem às autoridades. Caso contrário, os insurgentes serão declarados terroristas.
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Polícia dá sete dias aos atacantes (Al-Shabaab) de Mocímboa da Praia para se entregarem

Dois meses depois dos primeiros ataques que sacudiram a vila e o distrito de Mocímboa da Praia, a Polícia decretou um prazo de sete dias para os atacantes se entregarem às autoridades. Caso contrário, os insurgentes serão declarados terroristas.

O aviso foi dado ontem pelo comandante-geral da Polícia, durante um comício popular que orientou na vila municipal de Mocímboa da Praia. Bernardino Rafael desembarcou no aeródromo local por volta das 15 horas, um dia depois de ter participado como facilitador no contacto telefónico entre o Presidente da República e o líder da Renamo. Desde os primeiros ataques de 5 de Outubro, a Polícia já deteve 251 suspeitos, dos quais 37 têm a nacionalidade tanzaniana. Alias, o único suspeito apresentado no comício é um jovem oriundo da Tanzânia. Falando em swahili, o jovem contou aos presentes que veio a Moçambique a convite de um amigo. “Ele é carpinteiro e convidou-me para vir trabalhar aqui. Quando cheguei, ele levou-me ao mato. Não aguentei e acabei fugindo. Durante a fuga, fui interpelado pela Polícia e acabei sendo detido”, explicou. Logo a seguir, Bernardino Rafael exortou a população a denunciar todos os suspeitos de envolvimento nos ataques que já se alastraram para Palma, distrito que faz limite com Mocímboa da Praia. O comandante-geral fez lembrar aos presentes que a maioria dos atacantes detidos são nacionais. “São nossos filhos, são nossos irmãos, são nossos familiares, mas devemos denunciá-los à Polícia. Liguem para eles e informem que têm sete dias para se entregaram. É uma escolha que deverão fazer. Se o prazo de sete dias passar sem eles se entregarem, serão combatidos até ao último terrorista”.

No comício, alguns residentes voltaram a criticar as autoridades locais, nomeadamente a administração do distrito e o executivo municipal. “Nós sempre informamos as autoridades sobre comportamentos estranhos que estavam a surgir na vila, mas ninguém nos levou a sério. Denunciámos que há pessoas que iam à mesquita com facas e armas, mas as autoridades dizem que somos agitadores. Agora estamos a viver esta situação”, queixou-se um jovem da Rádio Comunitária local. Camessa, como é localmente tratado, lamentou a falta de informação na vila e no distrito da Mocímboa da Praia. “Até aqui ainda não percebi porquê é que fecharam a Rádio Comunitária. Para piorar, ficamos sem o sinal da televisão pública. A população de Mocímboa da Praia não está a ser devidamente informada sobre o que está a acontecer neste distrito”, denunciou, recebendo uma forte ovação da população. Sobre essas e outras queixas, Bernardino Rafael voltou a apelar à união. “Agora já temos ocorrências. Temos que denunciar, vamos esquecer o que aconteceu no passado. Sobre a Rádio Comunitária, a secretária permanente do distrito informou-me agora que até próxima semana estará a emitir”. Depois de Mocímboa da Praia, o comandante-geral trabalha hoje no distrito de Palma.

O País

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