SALOMÃO Muchanga, presidente do Parlamento Juvenil (PJ), anunciou ontem a sua retirada da liderança desta organização, alegadamente porque é hora de dar espaço a outros quadros da organização
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Muchanga retira-se da presidência Parlamento Juvenil

SALOMÃO Muchanga, presidente do Parlamento Juvenil (PJ), anunciou ontem a sua retirada da liderança desta organização, alegadamente porque é hora de dar espaço a outros quadros da organização para continuarem com a “luta séria e consequente”. Entretanto, Muchanga disse que continuará líder dos direitos cívicos, afastando, deste modo, rumores que davam conta que pretendia fundar um partido político.

Falando a jornalistas no decurso da sessão nacional anual de adopção do “Manifesto político da juventude para as eleições de 2018 e 2019” e a “Posição dos jovens face ao contexto político, económico e social do país”, Salomão Muchanga enumerou algumas das conquistas obtidas durante os nove anos em que esteve à frente dos destinos do Parlamento Juvenil, entre as quais a consolidação da organização a nível nacional, estabelecimento de escritórios em todas as capitais provinciais e abertura de representações em todos os distritos do país.

“Deixo a presidência duma organização com cerca de 300 mil membros em todo o país, um activo avaliado em mais de um milhão de dólares, com escritórios em todas as capitais provinciais, representações em todos os distritos de Moçambique e com alianças e parcerias estáveis”, disse.

Explicou que sempre sentiu que tinha a missão de estabelecer uma plataforma da juventude, um espaço onde os jovens se expressam. Para Muchanga, volvidos cerca de nove anos, é tempo de dar espaço a outros quadros e membros da organização para darem continuidade aos objectivos do Parlamento Juvenil, na certeza de que a luta é séria e consequente.

“Dei um humilde contributo, constituindo uma organização que é um estrondoso movimento cívico, uma plataforma organizacional da mudança, um chão comum para a juventude moçambicana. Sinto que, com toda esta representação e prestígio, há condições para eu avançar para outras frentes. Diria que estou a finalizar aqui a minha primeira marcha”, afirmou, clarificando, no entanto, que continuará líder dos direitos cívicos no país, enquanto cidadão, no quadro das liberdades que a Constituição lhe assiste.

Muchanga disse que hoje os jovens são mais ousados e têm espaço onde se expressam, livres de qualquer tipo de controlo ideológico. Sobre o relacionamento com as instituições democraticamente instituídas e com a sociedade civil, de que o Parlamento Juvenil faz parte, afirmou ter sido confrontado, nalgumas vezes, com situações visando combater a prossecução dos objectivos que nortearam a criação do Parlamento Juvenil.

“Nós sempre estivemos bem com o Governo, com a Assembleia da República e com outras organizações da sociedade civil. Nós somos amigos de todos”, disse.

Francisca Noronha, porta-voz da sessão, explicou, entretanto, que o principal objectivo do encontro, que hoje termina, é auscultar os jovens a nível nacional sobre as suas prioridades, acções e exigências no quadro do contexto político, económico e social do país, tendo como foco os desafios eleitorais que se avizinham.

O manifesto político a ser adoptado na sessão deverá, segundo a fonte, espelhar as prioridades e necessidades da juventude.

“Por exemplo, os jovens não estão a ser auscultados sobre o processo de descentralização, que é fundamental do ponto de vista de tomada de decisão. Nós jovens queremos participar nos processos, mas sentimos que há monopolização dos espaços. Nesta sessão, os jovens vão falar sobre a forma como irão participar nas eleições de 2018 e 2019”, disse.

Fonte JN

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