Crescem casos de Violência Doméstica contra o homem e Moçambique

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Crescem casos de Violência Doméstica contra o homem e Moçambique, O céu fechou-se para os indivíduos do sexo masculino. A mulherada já não está a brincar

– desabafa um marido vítima de violência doméstica, em conversa com o domingo

O céu fechou-se para os indivíduos do sexo masculino. A mulherada já não está para brincadeiras. Com chutos, pontapés e emissão de palavras ofensivas gera rebuliço nos lares e deixa os seus companheiros de cabelos em pé. Mudaram-se os tempos e trocaram-se as posições: “A minha mulher, desde que começou a trabalhar, promete-me porrada quando divergimos em ideias”, desabafa um dos nossos entrevistados.

A relação entre homens e mulheres vem sendo marcada nos últimos tempos pela medição de forças a vários níveis. Entretanto, nota negativa vai para os índices elevados de violência física e verbal perpetrada, na maioria dos casos, pelo homem contra a mulher. Contudo, há registos de ataques físicos e, sobretudo, orais da mulher contra o parceiro, um movimento que contraria a tendência segundo a qual somente o homem levanta a mão contra a sua companheira em situação de divergências.

domingoconversou com alguns varões que sofrem ataques, por vezes gratuitos, das suas caras-metades. A tónica do discurso gira em torno da autonomia conquistada pela mulher como o principal factor para os desentendimentos nos lares.

Armindo Ngale, de 64 anos de idade, que trabalha como guarda e reside na mesma propriedade localizada no município da Matola, começa por fazer uma viagem ao passado para rebuscar as “boas formas” de estar na relação a dois, ora votadas ao esquecimento. “Antigamente, as mulheres eram obedientes e respeitosas, porque não trabalhavam. Hoje em dia, elas ganham o seu próprio dinheiro e com isso vem o desprezo pelo marido”. Trata-se de dança das cadeiras. Para Ngale, “o homem sempre se colocou como o comandante, mas actualmente é anulado pela mulher, que, de igual modo, se considera uma capitã e acha que não precisa da figura masculina para nada”.

Envolto em “maré de azares”, Ngale dá a conhecer as suas peripécias, ao lado de uma companheira que, segundo ele, não o dá valor. “Primeiro de tudo, ela não me respeita; dá respostas atravessadas, e nem sequer cumpre algumas tarefas do lar. Chega a mandar-me lavar e engomar a minha roupa”.

Cansado das atitudes da sua parceira afirma que, certa vez, admitiu em voz alta a existência de “outro” (um amante) na relação. E a resposta da sua parceira veio à altura da acusação: “respondeu-me que o corpo era dela, que se eu quisesse poderia também ‘dar umas voltinhas’ por aí para arejar”.

ARRANHOU-ME E INSULTOU-ME

No Centro Integrado às Vítimas de Violência que funciona no Hospital Geral de Mavalane, a nossa reportagem encontrou Adolfo Domingos, trabalhador por conta própria, residente no bairro de Maxaquene. Este cidadão procurou aquela instância a fim de apresentar uma queixa, decorrente da péssima relação com a sua parceira.

Visivelmente agastado, conta que optou por se afastar temporariamente da mulher, pois a sua união era marcada por desencontro de perspectivas, para além de sessões de torturas físicas e psicológicas. “Acabei saindo de casa, não suportava mais”, desabafa.

O ambiente em que o casal vivia com duas crianças, enteados de Adolfo, era suficientemente fértil para gerar desconfiança e discórdia. No quintal da residência foi plantada uma barraca de venda de bebidas alcoólicas, um negócio do casal que acabou se tornando a principal causa para a separação. “Os pais dos meus enteados apareciam frequentemente, sob a capa de que iam lá consumir bebidas. Já que eu nunca engoli essa justificação, certo dia, a minha mulher agrediu-me: arranhou-me de tal forma que me provocou feridas nos braços. De tantas agressões que sofri, fui parar à esquadra para meter a queixa. De lá mandaram-me para este centro, e aqui estou para receber toda a ajuda possível”, declara.

Algumas vozes ecoam para afirmar que “as mulheres fazem e desfazem porque têm cobertura jurídica”. Outras apregoam que quanto mais escolarizada ela é, menos respeita o seu cônjuge.

De qualquer forma, a realidade manda dizer que o barulho está instaurado. Paus, pedras, ferros e frigideiras contendo óleo quente são alguns exemplos de armas empunhadas pelos indivíduos do sexo feminino para se rebelar contra os seus maridos.

A resolução das querelas entre os casais tem ultrapassado as barreiras da autoridade familiar, que vêem o desrespeito a enraizar-se e a tomar proporções preocupantes, conforme atestam alguns testemunhos.

Jornaldomingo

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