As contradições do Ministro Jorge Ferrão? Caso esfaqueamento na “Josina Machel”

As contradições do Ministro Jorge Ferrão?
Jorge Ferrão, Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano (15.09.2016, STV – Jornal da Noite)
‘’Nós sabemos que temos que recuperar os nosso alunos. Só existe Ministério e só existe escola porque nós queremos moldar o novo comportamento, e moldar um comportamento significa mesmo aqueles que tem um desvio padrão eles tem que ser trazidos, tem que ser aproveitados porque não ajuda só criar marginalidade no país. Nós temos que fazer mesmo que aquele é marginal ele tem que encontrar formas de ter um comportamento digno e de saber estar como cidadão, como aluno, como alguém que vai contribuir para o desenvolvimento deste país.’’

Comissão de Inquérito (29.09.2016)
Os dois alunos envolvidos na cena de pancadaria na Escola Secundária Josina Machel foram expulsos em resultado do trabalho feito pela Comissão de Inquérito criada pelo Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano para averiguar o caso.

Assim é o desfecho de um caso que quanto a mim devia merecer uma abordagem mais cuidada, mas depois da proibição de celulares nas escolas e das saias, não me surpreendo a decisão deste Ministério que no lugar de perceber a origem do problema, arranjar formas eficazes de resolvê-lo, prefere pautar pela medida mais extrema que é a expulsão. Num passado recente vimos a forma como actuou no caso dos celulares nas escolas e sobre as saias curtas.

Quer assim dizer que qualquer caso de ‘’desvio comportamental’’ andaremos a expulsar alunos e assim continuaremos sem resolver e nem saber a origem real deste problema? Só para ver que esta medida é mesmo um falhanço autêntico, ontem ouvi um dos pais dos alunos expulsos a dizer que já está a procurar vaga para o filho numa escola privada, ou seja, aqui só se deportou o problema de um estabelecimento de ensino para o outro. Sem dúvidas que temos aqui um excelente caso de estudo para o profissionais da educação.

‘’A criança que tem um desvio padrão deve sentir-se segura dentro do ambiente escolar, não sendo discriminada pelo comportamento, a cor ou condições financeiras. É fundamental a organização escolar procurar conhecer as pessoas que frequentam a escola sem ser membros da mesma e traçar um plano conjunto que inclua todos os actores: pais e encarregados de educação, professores, comunidade e alunos.’’ (FARIAS, et al. – Transtorno de conduta na infância, 2014)
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