SOCIEDADE

TROÇO DE 317 KM ENTRE BEIRA E MACHIPANDA: CFM NECESSITAM DE 400 MILHÕES PARA OPERACIONALIZAR LINHA FÉRREA

A empresa pública Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) necessita de 400 milhões de dólares norte-americanos, para a operacionalização da linha férrea de Machipanda, um troço de 317 quilómetros, da cidade da Beira, província de Sofala, até ao posto administrativo de Machipanda, província de Manica.
O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, assegurou que acaba de ser concluído o estudo de viabilidade para a reabilitação daquela infraestrutura ferroviária, que se encontra num estado técnico bastante delicado.
“Terminámos o estudo de viabilidade e agora vamos analisar para apurar como é que o processo de operacionalização desta linha será efectuado, nomeadamente a reabilitação da própria linha e a aquisição do respectivo material circulante”, explicou o governante, acrescentando que a linha necessita de uma intervenção urgente, para dar vazão à demanda que tem estado a existir naquele segmento de mercado.
Carlos Mesquita revelou que tem estado a manter contactos com vários parceiros, particularmente chineses, que se mostram interessados em avançar no projecto de reabilitação da linha férrea de Machipanda.
“Vamos ver se podemos embarcar no modelo BOT (Build–Operate–Transfer), previsto na lei das Parcerias Público-Privadas, para evitar que seja apenas o Estado a investir sozinho nessa infraestrutura”, frisou o titular da pasta dos Transportes e Comunicações.
Numa breve abordagem ao sistema ferroviário nacional, Carlos Mesquita indicou que a linha de Sena, que liga o porto da Beira, em Sofala, à cidade carbonífera de Moatize, em Tete, está numa fase bastante avançada de melhoramento da sua capacidade. De cerca de seis milhões e meio de toneladas anualmente, esta infraestrutura vai passar agora a ter cerca de 12 milhões de toneladas por ano.
“As mineradoras de carvão utilizaram a linha de Sena, no ano passado, para o transporte de cerca de cinco milhões de toneladas de carvão. Agora, para além do carvão, precisamos pensar no transporte de outras mercadorias clássicas, como fertilizantes, trigo, arroz, granito, combustíveis, entre outras, pois existe espaço para isso”, sustentou o ministro.
Num outro desenvolvimento, Carlos Mesquita disse ser necessário investir na aquisição de meios circulantes adequados, nomeadamente locomotivas, vagões e plataformas, para fazer este tipo de transporte, porque os vagões para o transporte de carvão têm um formato completamente distinto dos de cargas normais.
Temos depois as linhas férreas de Limpopo, Goba e Ressano-Garcia, que estão operacionais, conforme garantiu o governante, ressalvando, entretanto, que a de Limpopo opera com tráfego mais reduzido, devido às circunstâncias económicas do Zimbabwe.
Quanto à linha de Goba, que está a beneficiar da construção de uma nova ponte com capacidade acrescida em termos de acomodação de cargas mais pesadas em Boane, Carlos Mesquita disse que a sua reabilitação será concluída este ano, depois de ter sido iniciada no ano passado, num financiamento da empresa CFM, na ordem de 18 milhões de dólares norte-americanos.

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